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Relatório da indústria de internet móvel no Brasil
2016 - 08 - 01

Introdução


O Brasil, a sétima maior economia do mundo, um dos membros da BRIC e com o maior PIB na América do Sul é considerado o paraíso de investimento para muitas empresas internacionais de celular, telecomunicação e programadores.


Entretanto, mesmo tendo um mercado grande e um número enorme de usuários, muitas empresas não conseguem atingir o sucesso no Brasil por motivos relacionados à falta de infraestrutura completa e ao custo alto da telecomunicação.


Porém, os programadores veem oportunidades. Quais oportunidades nós ainda temos para celulares Android no Brasil? Que tipo de aplicativo os brasileiros gostam? Onde está a próxima oportunidade?


Por meio da análise de Big Data da appinsight junto com a análise de distribuição de operação, sistemas de operadora, categoria e classificação de aplicativos, a Cheetah Global Lab analisou de maneira aprofundada o mercado de internet móvel no Brasil e mostrará as oportunidades.


Parte 1: 92% dos smartphones são Android


I, Distribuição de sistema operacional : a Apple perde para o Windows Phone e a inserção do Android no mercado continua crescendo



De acordo com a análise do Kantar Group no primeiro trimestre de 2016, a inserção do Android no mercado brasileiro atingiu 92,4%, seguido pelo Windows com 4,1% e, por último, o iOS com 3,3%. A tendência parece ser que a inserção do Android no mercado continuará a crescer e a do iOS diminuirá.




A Cheetah Global Lab acredita que o iOS não atinge o sucesso no Brasil devido ao seu alto custo de venda, o mais caro do mundo. Por exemplo, o iPhone 6S de 16G tem preço de venda no Brasil de USD 1.264, quase o dobro dos Estados Unidos. Em contraste, celulares Android têm uma faixa de preço mais ampla, sendo mais acessível para todas as categorias de consumidores.


II, Marca de celular Android: mercado dominado pela Samsung, as marcas chinesas ainda buscam mercado



A soma das três primeiras posições supera 80% da quota de mercado. A análise indica que: A tela de 4,5-5 polegadas é a que os brasileiros mais gostam.



Dentre as 10 maiores marcas de celulares, as empresas brasileiras Positivo e Multilaser ocupam o sexto e nono lugar. As marcas chinesas, Motorola, Asus, TCL e TCT estão entre as 10 maiores. A marca Xiaomi e Huawei não estão entre as 10 maiores no mercado brasileiro. Isso acontece porque o Brasil protege o consumo de produtos eletrônicos domésticos por meio da incorporação das altas taxas de importação. As empresas internacionais somente podem fazer a produção localmente por meio do sistema CKD (Completely Knocked Down),cujo estabelecimento de novo processo resulta no aumento do custo de produção.


Por outro lado, a análise mostra que somente 15% dos brasileiros compram celulares pela internet. Isto é um obstáculo imenso para a Xiaomi, cujo canal de vendas é principalmente online. Por causa disso, a equipe teve que adaptar a estratégia e anunciou que não lançará um novo modelo de celular em curto prazo resultando no retorno da equipe à China. A Xiaomi adaptou a estratégia: não lançará um novo modelo de celular e a equipe volta para a China.


III, Haverá mudanças nas 4 maiores operadoras de celular do Brasil?


O Brasil tem 4 principais operadoras de celular:


1. "VIVO", empresa pertencente à Telefonica.


2. Claro, subsidiária da empresa América Móvil do México


3. Tim Brasil, subsidiária da empresa Telecom Italia


4. Oi, operadora local brasileira


No geral, os custos de telecomunicação no Brasil são altos, e a cobertura de 4G é limitada . Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) mostram que em janeiro de 2015 o número de usuários de celulares ultrapassou 281,7 milhões, ocupando o quarto lugar no mundo, ficando somente atrás da China, Índia e Estados Unidos. Celulares com 3G ultrapassaram 148,4 milhões, e celulares com 4G somente 7,75 milhões. Atualmente, o 3G ainda domina o mercado brasileiro. No entanto, ainda existe grande espaço para melhorias na estrutura de comunicações.


Parte 2: visão geral da categoria de aplicativos no mercado brasileiro


A Cheetah Global Lab descobriu que os produtos importados são muito bem aceitos no Brasil pelo fato de os usuários brasileiros serem bem internacionalizados. Com exceção às áreas de música, finanças, notícias, estilo de vida e livros dominados por empresas locais, ainda há muitas oportunidades para empresas internacionais nas outras áreas.


I, Aplicativos: os internautas brasileiros gostam de aplicativos de comunicação, redes sociais, música e vídeos.



1. Comunicação e redes sociais: em comparação com outros países, os internautas brasileiros são grandes fãs de comunicação e redes sociais.



O povo brasileiro é apaixonado por natureza e gosta de se comunicar. Portanto, a categoria de comunicação e redes sociais ocupa uma posição mais alta na classificação geral, estando também na liderança quando comparada à de outros países.



Olhando na lista de classificação em relação à comunicação e às redes sociais não se encontram aplicativos locais. A liderança dos aplicativos Facebook e Google demonstra que os internautas brasileiros são bem influenciados por aplicativos estrangeiros, com alto grau de internacionalização.


2. Aplicativos de utilidades : as empresas chinesas lideram o mercado com aplicativos de proteção do celular e limpeza, e a demanda para aumento de velocidade de celular é a maior


A Cheetah Global Lab analisou que, entre os 100 aplicativos mais usados no Brasil, os aplicativos do tipo utilidade ocupam 1/5 do total.



Observando as dez primeiras posições da lista, os internautas brasileiros têm uma demanda maior para proteção de segurança do celular, limpeza de lixo e aumento de velocidade do celular.


A Cheetah Global Lab descobriu algo muito interessante: 7 desses produtos (2, 3, 4, 5, 6, 7, 9) foram desenvolvidos ou adquiridos por empresas chinesas. Com os aplicativos de utilidades, as empresas chinesas fizeram grande sucesso no exterior. O Brasil teve uma contribuição grande nesse sucesso, já que é um dos mercados BRIC.


3. Música e vídeo: Youtube e Palco, os dois dominantes



Na categoria de vídeo, o YouTube é o destaque.



A lista de classificação de vídeo mostra que o YouTube não só está em primeiro lugar, mas a sua penetração no mercado é muito forte, e o lugar dele no ranking em comparação com os outros é inabalável.


Prisma é um aplicativo inteligente que transforma fotos em pinturas de artistas famosos. Embora seja um aplicativo de foto, a Google Play o colocou na categoria de vídeos. Alcançou a sexta posição no Brasil logo após o lançamento. Isso demonstra que o mercado brasileiro tem forte senso artístico; por outro lado, também reflete a força da classificação de vídeos. Com exceção do YouTube e dos aplicativos de vídeos pré-instalados, a quota de mercado para outros já é pouca, a concorrência é fraca e os aplicativos novos têm mais facilidade de entrar na lista.


O amor pela música no Brasil é muito forte. A popularidade entre os brasileiros dos dois aplicativos de busca e compartilhamento de música Shazam e SoundCloud reflete a paixão dos usuários brasileiros por boa música.



Palco MP3 é o aplicativo doméstico que está mais à frente da lista de classificação. Na lista de categoria de música, embora o número de usuários ativos de Palco MP3 seja menor que o aplicativo pré-instalado Google Play Music, ficando na segunda posição, ele é considerado o líder no número de instalações.



A empresa Studio Sol Comunicação Digital LTDA do Palco MP3 é responsável por grande parte da indústria de música no Brasil. Há ainda outro aplicativo de destaque: Letras.mus.br, que está em quarto lugar no ranking. Graças à cultura e personalidade ricas do povo brasileiro, os aplicativos domésticos de música prevalecem no Brasil. O Funk e o Sertanejo são estilos de música poucos conhecidos mundialmente e são extremamente populares no Brasil.


4. Categoriade foto : tanto os homens como as mulheres gostam de tirar selfies



Em comparação com outros países, os internautas brasileiros são bem receptivos à aplicativos de foto. Dentre os 100 primeiros aplicativos, a categoria de foto abrange 13% desse total, perdendo somente para os aplicativos de utilidades.



II, As áreas mais promissoras são: e-commerce, finanças, notícias e viagem.


1.E-commerce: crescimento é garantido



Embora o Brasil seja conhecido como um mercado muito grande de e-commerce, de acordo com alguns dados a penetração do e-commerce no Brasil está abaixo do nível mundial. A Cheetah Global Lab considera que a causa principal disso é a demora da logística do Brasil. Com isso, os brasileiros estão mais acostumados a fazer compras off-line.



Nesta lista, existem dois aplicativos que valem a pena notar. O primeiro é o AliExpress, que conquistou vários consumidores brasileiros pelos seus produtos baratos. Embora seja um e-commerce do exterior e o prazo de entrega possa chegar a 2 meses, o povo brasileiro continua entusiasmado com esse método de compra.


O outro que chamou a atenção da Cheetah Global Lab é o Peixe Urbano, adquirido pelo Baidu, com a função principal de O2O. O Baidu alcançou bons resultados desde que abriu filiais no Brasil e começou negócios de O2O. Este ano começaram a promover o serviço Baidu Maps, no momento já incluindo o mapa do Brasil. O próximo passo é começar o serviço de compras coletivas, ampliando ainda mais a influência no Brasil.


2.Categoria de Finanças: função completa, indispensável.


Sendo um apoio sólido do e-commerce, podemos ver que os aplicativos de finanças se desenvolveram muito bem: a penetração deles no mercado ocupa uma posição alta, sendo que os bancos Banco do Brasil, Bradesco e Itaú ocupam as posições 38, 49 e 51 no ranking.



O mercado de aplicativos de finança está nas mãos dos bancos locais do Brasil. Diferente da China, que usa um código de verificação enviado para o celular, no Brasil se usa aplicativos para gerar um código para os serviços na internet do banco ou no ATM. Por esse motivo, os aplicativos de bancos são usados com muita frequência. Ao mesmo tempo, as demais funções de aplicativos de bancos são também muito boas, como loteria, serviços públicos (taxa de luz e água), etc.


De certa forma, o meio de pagamento é algo essencial. O futuro do e-commerce também está nas mãos dos aplicativos de finanças.


3. Aplicativos na categoria de Notícias: as empresas chinesas trouxeram recomendações personalizadas para o Brasil



A penetração de aplicativos de notícias no Brasil é significativamente menor do que em outros países e é também inferior à categoria de livros domésticos no Brasil (responsável por 16,6%). De acordo com os dados do gráfico, na categoria de livros predomina a Bíblia; isso é devido à predominância das religiões católica e protestante no Brasil.



Em março deste ano, a Central das notícias, que estava em terceiro lugar, foi descoberta pela Appannie e em menos de seis meses passou a ser líder da indústria. Desde 2015, quando a China experimentou o sucesso de recomendações personalizadas de notícias, as empresas chinesas estão tentando levar o novo modelo para o exterior. O aplicativo Central das Notícias e o Mestre de Notícias, que está em sexto lugar, são produtos desenvolvidos por empresas chinesas.


G1, globo.com, UOL e TecMundo Notícias, que estão no ranking 5, 7, 8 e 9, são derivados de portais tradicionais brasileiros.


O que é interessante é que no momento apenas a Central das notícias e Mestre de Notícias, dois produtos chineses, têm recomendação personalizada. A Cheetah Global Lab observou que eles têm mantido um bom crescimento. Contudo, do ponto de vista de penetração no mercado, os aplicativos de notícias ainda estão em uma fase relativamente precoce, com espaço para crescimento. Será que eles conseguem copiar o modelo de sucesso da China e transferir para Brasil? Ou há outros fatores desconhecidos que influenciarão? O tempo vai dizer.


4.Viagem e turismo: uma área a ser explorada



Na área de viagem e turismo, os dados no Brasil são significativamente menores que em outros países.



Na pesquisa de classificação de táxi que foi realizada pela Cheetah Global Lab no final de 2015, no mercado brasileiro a 99Taxis e Easy Taxi ficaram nos dois primeiros lugares, e a Uber ficou em terceiro lugar. Mas até a finalização de dados em 01/08/2016, a Uber ultrapassou os demais e ficou no primeiro lugar no Brasil.


Até pouco tempo atrás, Didi, a empresa chinesa de táxi, anunciou que adquiriu a Uber na China, o que indica que a guerra entre os aplicativos de transporte privado está prestes a terminar. Tendo solucionado o mercado chinês, a Uber terá sua estratégia mais focada nos outros países. O Brasil, que tem demanda de transporte, população grande e com crescimento estável da Uber, pode ser o foco principal da Uber.


III, Jogos:jogos casuais dominam o mercado



1.Os jogos leves são predominantes no mercado, dando menos oportunidades para os jogos novos.



Os jogos casuais e os jogos arcade são jogos leves com grande influência no mercado brasileiro. 25 jogos casuais e 15 jogos arcade estão entre os 100 primeiros lugares da classificação de jogos.


Podemos ver na classificação que os jogos clássicos ainda estão nos primeiros lugares, exceto pelo sétimo classificado, o novo jogo lançado pela empresa King, Farm Heroes Super Saga, deixando poucas oportunidades para os jogos novos.


2.Jogosde ação: onde há maior oportunidade.



Na classificação dos jogos de ação, podemos ver que os jogos novos conseguem entrar na lista,principalmente o jogo do tipo serpente. Com a ascensão do slither.io, o mesmo tipo de jogos ocupa as posições 8 e 9.


Parte 3 - Concorrentes da China:juntos podemos mudar o mundo


Nos recentes Jogos Olímpicos, o Brasil é o foco do mundo, reunindo os melhores atletas em um mesmo lugar. No mundo da internet móvel, o Brasil também é o mercado que atrai as empresas internacionais, onde as empresas chinesas competirão para ter sucesso.


Desde marcas de celulares aos aplicativos, do e-commerce Alibaba ao O2O do Baidu, dos aplicativos de utilidades do Cheetah que conquistaram o mercado internacional à distribuição de conteúdo. Com o desenvolvimento da internet móvel, as fronteiras geográficas do mundo se tornam cada vez menores, e o fluxo de produtos de qualidade se torna cada vez mais fácil. Estamos dispostos a trabalhar juntos no mundo da internet móvel para criar um mundo melhor.


Descrição dos dados:


  1. Neste relatório, a Cheetah Global Lab usa um novo método de pesquisa de dados, excluindo os usuários que usam somente os aplicativos do sistema do celular. Portanto, haverá diferença nos dados da penetração, do número de frequência de uso e na quantidade de uso por pessoa.


  2. Exceto quando indicado, os dados foram adquiridos através das instalações da Cheetah Mobile, que chega a 2 bilhões e 762 milhões com 651 milhões de usuários ativos mensais;


  3. Os dados foram recolhidos de acordo com as funções diárias dos produtos da Cheetah, respeitando as leis e regulamentos pertinentes;


  4. Os dados da classificação e distribuição de usuários são recolhidos de acordo com os dados de usuário ativos semanais;


  5. Os dados são influenciados por distribuição e usuários de produtos da Cheetah e aplicam-se somente ao sistema Android.


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